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GUIA 10

Gestão de Risco

Referência rápida OttoExpert • tipos de risco, duration, crédito, VaR e ferramentas • atualizado em jun/2026

Mapeia os tipos de risco do mercado financeiro, o risco de taxa de juros (duration e imunização), a análise de crédito, o Value at Risk (VaR) e as ferramentas complementares de controle (stress test, backtesting, stop loss e limites).

Pegadinhas de prova

  • VaR 95% NÃO é perda máxima absoluta: em ~5% dos dias a perda ULTRAPASSA o VaR — e ele não diz por quanto.
  • Duration alta = sensibilidade alta: prazo LONGO + cupom BAIXO. NTN-B 2060 Principal dói mais que NTN-B 2030 com cupom.
  • Convexidade beneficia o investidor nos DOIS sentidos (cai menos, sobe mais).
  • Título com CALL: quando o juro despenca, o emissor recompra — seu ganho tem TETO (e o risco de reinvestimento aparece).
  • Imunização protege contra choques PARALELOS; torção de curva ainda machuca.
  • Spread de crédito remunera default ESPERADO + liquidez — spread "gordo" não é almoço grátis.
  • Grau de investimento vai até BBB− / Baa3; BB+ para baixo é especulativo (high yield).
  • Risco de liquidez tem DUAS faces: do ATIVO (não vender sem desconto) e de FUNDING (não honrar resgates).
  • Tracking error mede risco relativo ao benchmark; volatilidade mede risco absoluto — um fundo pode ter vol alta e TE zero (indexado a um índice volátil).

Risco de mercado

Oscilação de PREÇOS (juros, bolsa, câmbio, commodities).

Mitiga-se com diversificação, hedge com derivativos e limites.

Risco de crédito

Calote do emissor/devedor.

Mitiga-se com análise, garantias, diversificação e rating.

Risco de liquidez (duas faces)

Não conseguir vender RÁPIDO sem desconto relevante (face do ativo) ou não honrar resgates (face de funding).

Mitiga-se com colchão líquido, limites vs volume do mercado e casamento ativo-passivo.

Risco de taxa de juros

O preço do título cai quando a taxa sobe.

Mitiga-se com duration e imunização.

Risco cambial

Variação da moeda contra a posição.

Mitiga-se com hedge (NDF, futuros, swap cambial).

Risco de inflação

Perda de poder de compra do retorno NOMINAL.

Mitiga-se com ativos indexados (NTN-B, TIPS, imóveis).

Risco de volatilidade

Intensidade das oscilações (afeta opções e margens).

Mitiga-se com estratégias de vol e dimensionamento de posição.

Risco de contraparte

A OUTRA PONTA do contrato não honra (operações de balcão).

Mitiga-se com contraparte central (clearing), garantias e netting.

Risco de evento

Fato súbito e específico (fraude, desastre, M&A, default técnico).

Mitiga-se com diversificação; não é previsível por modelo.

Risco soberano / risco-país

Calote ou restrição de capital de um PAÍS.

Mitiga-se com CDS, rating soberano e diversificação geográfica.

Risco operacional

Falhas de processo, pessoas, sistemas ou fraude interna.

Mitiga-se com controles, compliance e segregação de funções.

Risco regulatório / legal

Mudança de regra do jogo ou contratos inexequíveis.

Mitiga-se com monitoramento normativo e documentação robusta.

Risco ASG

Eventos ambientais, sociais e de governança que destroem valor.

Mitiga-se com integração ASG na análise e engajamento.

Duration de Macaulay e modificada

Macaulay = prazo MÉDIO ponderado dos fluxos (em anos); em um zero coupon, a duration é igual ao prazo.

A modificada mede sensibilidade: ΔPreço ≈ −DM × Δtaxa (DM 5 e juros +1 p.p. → preço cai ~5%).

A duration AUMENTA com prazo maior, cupom MENOR e yield menor — por isso o prefixado longo sem cupom é o mais sensível.

taxa de juros (yield)preço do títuloreta da durationcurva real (convexa)hojejuro cai → sobe MAISjuro sobe → cai MENOS

Convexidade

A curva preço×taxa não é reta: o título cai MENOS quando o juro sobe e sobe MAIS quando cai.

A convexidade é amiga do investidor.

Riscos associados à renda fixa

• Risco de curva (movimentos não paralelos)

• de resgate antecipado/call (o emissor recompra quando os juros caem, limitando o ganho)

• e de reinvestimento (cupons reaplicados a taxas piores).

Imunização

Casar a duration da carteira com o HORIZONTE da obrigação faz o risco de preço e o de reinvestimento se compensarem — válido para choques PARALELOS na curva.

variação da taxavalorefeito preçoefeito reinvestimentovalor imunizado (soma ≈ constante)duration da carteira = horizonte da obrigação (choque paralelo)

Os 5 Cs do crédito

• Caráter (histórico e disposição de pagar);

• Capacidade (geração de caixa cobre o serviço da dívida — cobertura de juros, DL/EBITDA);

• Capital (patrimônio próprio em jogo, alavancagem);

• Colateral (garantias executáveis, reais > fidejussórias);

• Condições (cenário macro/setorial e cláusulas/covenants).

Os 5 Cs do créditoCaráterquer pagarCapacidadegera caixaCapitalpele em jogoColateralgarantiasCondiçõescenário

Análise quantitativa e qualitativa de crédito

• Quantitativa: demonstrações financeiras + técnicas estatísticas (scores, modelos de default).

• Qualitativa: gestão, governança e setor.

Spread de crédito

Spread ≈ probabilidade de default × perda dado o default (LGD) + prêmio de liquidez.

Spread abrindo = mercado precificando mais risco; spread "gordo" não é almoço grátis.

Decomposição do spread de créditoPD × LGDprêmio de liquidezdefault esperadoiliquidez= spread totalspread "gordo" não é almoço grátis — remunera risco

Solvência ≠ inadimplência

Solvência é estrutural (o patrimônio cobre as obrigações); inadimplência é pontual (atraso no fluxo).

São conceitos distintos.

Ratings de crédito

GRAU DE INVESTIMENTO: de AAA até BBB− (S&P/Fitch) ou Baa3 (Moody's); abaixo disso é ESPECULATIVO (high yield).

A escala nacional difere da global; outlook e watch antecipam movimentos.

Escala de rating (S&P / Fitch)AAAAAABBB … BBB−GRAU DEINVESTIMENTOpiso: BBB− / Baa3linha do grau de investimentoBB+ … BBBCCC … DESPECULATIVO(high yield)BB+ já NÃO é IG

Value at Risk (VaR)

Perda MÁXIMA esperada em condições NORMAIS de mercado, para um horizonte e um nível de confiança.

"VaR 1 dia, 95%, R$ 1 mi" = em 95% dos dias a perda não passa de R$ 1 mi (e em ~5% PASSA, sem dizer quanto).

perdas ← retorno → ganhosVaR 95%1,65σVaR 99% (2,33σ)~5% dos diasa perda passa do VaR (cauda)

Métodos de cálculo do VaR

Paramétrico (analítico): assume distribuição normal (95% → 1,65σ; 99% → 2,33σ).

Alternativas: simulação histórica e Monte Carlo.

O VaR da carteira < soma dos VaRs individuais quando a correlação < 1 (diversificação); o VaR componente/incremental mostra quem contribui com o risco.

VaR da carteira < soma dos VaRs (ρ < 1)VaR A100VaR B80soma (A+B)180carteira140−40

Vantagens e limitações do VaR

• Vantagens: um número único, comparável entre mesas/classes e base de limites.

• Limitações: não diz o tamanho da perda ALÉM do VaR, a normal subestima as CAUDAS e ele depende do passado.

Ferramentas complementares

• Stress test/cenários simula CRISES (2008, COVID, choque de juros) e cobre a CAUDA que o VaR não vê.

• Backtesting compara perdas reais com o VaR previsto.

• Stop loss obriga a zerar/reduzir posição.

• Tracking error mede risco ATIVO.

• Erro quadrático médio (EQM) mede aderência de fundo indexado.

• Limites de exposição põem tetos por emissor/classe/mesa.

Backtesting: perdas diárias vs VaR0limite VaR 95%violações em ~5% dos dias (1 em 20) = bem calibrado

Processo de gestão de risco

IDENTIFICAR (mapa de riscos quantitativos e qualitativos) → MENSURAR (VaR, duration, stress) → MITIGAR (limites, hedge, diversificação, garantias) → MONITORAR (backtesting, relatórios, comitê).

Identificarmapa de riscosMensurarVaR, duration, stressMitigarlimites, hedgeMonitorarbacktesting, comitêciclo contínuo

🧠 Analogia: VaR, stress test, backtesting e stop loss

VaR = previsão do tempo ("95% de chance de chover menos de 20 mm") — útil no dia a dia, INÚTIL para furacões. O stress test é o simulado de furacão; o backtesting confere se o meteorologista vem acertando; e o stop loss é o disjuntor que desliga a casa antes do incêndio.