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GUIA 05

Derivativos

Referência rápida OttoExpert • futuros, termo, opções e swaps • atualizado em jun/2026

Cobre os quatro derivativos centrais — futuros, termo, opções e swaps — com seus usos (hedge, especulação, arbitragem), mecânica de mercado e a tributação de cada um para pessoa física.

Pegadinhas de prova

  • TITULAR tem direito; LANÇADOR tem obrigação — e call descoberta tem risco ILIMITADO.
  • Ajuste diário é exclusividade do FUTURO — termo e swap liquidam no fim.
  • Swap tributa como RENDA FIXA (regressiva + IRRF na fonte), não como renda variável.
  • Box de 4 pontas = renda fixa sintética — a Receita tributa como RF (operação conjugada).
  • Straddle/strangle apostam em VOLATILIDADE, não em direção.
  • NDF liquida por DIFERENÇA contra a PTAX — não há entrega de moeda.
  • Derivativos NÃO têm isenção de R$ 20 mil — ela é só para ações à vista.
  • Preço futuro acima do spot não é "previsão de alta": é custo de carregamento (juros).

O que são derivativos

Contratos cujo valor DERIVA de um ativo subjacente (ação, juros, câmbio, índice, commodity ou crédito).

Três usos dos derivativos

HEDGE (proteção — transfere risco), ESPECULAÇÃO (assume risco direcional, com alavancagem) e ARBITRAGEM (trava distorções de preço entre mercados, sem direção).

Bolsa × balcão (OTC)

Bolsa é padronizado, com contraparte central e margens; balcão/OTC é customizado, com risco de contraparte e registro obrigatório na B3.

Comparativo dos quatro instrumentos

FUTURO: padronização total (bolsa), tem ajuste diário, obriga ambas as partes, saída antecipada fácil por posição inversa. TERMO: customizado, sem ajuste diário, obriga ambas as partes, saída difícil. OPÇÃO: padronizada (bolsa) ou flexível (balcão), sem ajuste diário (prêmio pago no início), só o LANÇADOR tem obrigação enquanto o titular tem direito, saída por negociar a opção. SWAP: customizado (balcão), sem ajuste diário (liquidação no vencimento), obriga ambas as partes (troca de fluxos), saída difícil (reversão).

Contratos futuros — ajuste diário e garantias

Ajuste diário: lucros e perdas são pagos/recebidos TODO DIA pela marcação ao preço de ajuste, reduzindo o risco de inadimplência a um dia. Garantias: margem inicial (depósito em títulos/dinheiro) mais chamadas de margem; quem garante é a clearing (contraparte central). No vencimento o futuro converge para o preço à vista.

Principais contratos futuros da B3

DI1 (futuro de DI): negocia TAXA e liquida por PU (R$ 100 mil descontado); taxa sobe, PU cai; é o contrato mais líquido da B3 e trava juros. DOL/WDO: dólar comercial (US$ 50 mil / 10 mil); hedge cambial clássico de importador (compra) e exportador (vende). IND/WIN: Ibovespa (pontos × R$ 1,00 / R$ 0,20); exposição alavancada à bolsa sem comprar as ações. Agro (boi, milho, café): commodities padronizadas; hedge de produtor (vende) e indústria (compra).

🧠 Analogia: ajuste diário × termo

Ajuste diário é como acertar a conta do bar todo dia em vez de deixar acumular até sexta: ninguém quebra com uma conta gigante. O termo é o oposto — a conta inteira fica para o final, por isso exige mais confiança (ou garantia) na contraparte.

Contratos a termo

Compra/venda com preço travado HOJE e liquidação no FUTURO, sem ajuste diário — resultado só no vencimento. Termo de ações (B3): prazo de 16 a 999 dias; preço = à vista + juros do período; o comprador pode liquidar antecipadamente.

NDF (non-deliverable forward)

Termo de MOEDA sem entrega física: liquida pela DIFERENÇA entre a taxa contratada e a PTAX do vencimento. É o instrumento padrão de hedge cambial de empresas.

Opções — titular e lançador

CALL é opção de compra e PUT é opção de venda. O titular paga prêmio e tem DIREITO (call = comprar pelo strike, aposta/proteção de alta; put = vender pelo strike, aposta/proteção de queda). O lançador recebe prêmio e tem OBRIGAÇÃO (call = vender se exercido, descoberta tem risco ILIMITADO; put = comprar se exercido, risco do strike até zero). Exercício: europeia só no vencimento; americana a qualquer momento.

Moneyness de call e put

ITM (dentro do dinheiro): call quando spot > strike; put quando spot < strike. ATM (no dinheiro): spot ≈ strike para ambas. OTM (fora do dinheiro): call quando spot < strike; put quando spot > strike.

Prêmio e fatores de preço

Prêmio = valor intrínseco + valor do tempo. Fatores que AUMENTAM o prêmio da call: spot ↑, strike ↓, prazo ↑, volatilidade ↑, juros ↑, dividendos ↓ (na put os sinais são opostos, exceto prazo e volatilidade, que aumentam ambas). Modelos como Black-Scholes e binomial assumem hipóteses irreais (volatilidade constante, lognormalidade) e são apenas referência de preço.

Estratégias com opções (parte 1)

Compra de call: paga prêmio; alta alavancada, perda máxima = prêmio. Venda coberta (covered call): tem a ação e vende call; gera renda extra, mas abre mão da alta acima do strike. Compra de put (protective): tem a ação e compra put; é o SEGURO da carteira, trava o piso. Trava de alta/baixa (spread): compra e vende opções de strikes diferentes; direção com ganho E perda limitados.

Estratégias com opções (parte 2)

Box (4 pontas): trava de alta com call mais trava de baixa com put; é renda fixa sintética com resultado conhecido e tributa como RF. Straddle: compra call + put de MESMO strike; aposta em volatilidade, ganha se mexer muito para qualquer lado. Strangle: compra call + put OTM (strikes diferentes); volatilidade mais barata, precisa de movimento maior. Collar: ação + compra put + vende call; trava um RANGE (piso e teto), hedge barato. Caps/Floors: série de opções de taxa de juros — cap é teto (devedor pós) e floor é piso (aplicador). Barreira (knock-in/out): nasce (in) ou morre (out) se o preço tocar a barreira (up/down); mais baratas que as comuns e comuns em COE.

Swaps

Troca de fluxos/indexadores sobre um valor de referência (nocional), sem desembolso inicial; liquidação pela DIFERENÇA no vencimento (balcão, com registro na B3). Tipos clássicos: CDI × pré (trava juros), CDI × dólar (hedge cambial, o "swap cambial") e IPCA × CDI. Quem fica ativo em um indexador fica passivo no outro. Há risco de contraparte (pode haver garantia na B3). Uso típico: empresa endividada em dólar troca a dívida para CDI sem mexer no contrato original.

🧠 Analogia: swap e collar

Swap é troca de marmitas: cada um continua dono da própria marmita (a dívida/aplicação original não muda), mas trocam o RECHEIO (o indexador). Collar é para-choque + limitador de velocidade: a put te protege na batida e a call vendida limita sua máxima.